Atualmente, João Viegas continua a dedicar-se àquilo que sempre o fascinou: escrever música para histórias. Seja para o cinema, para o palco ou para qualquer outro meio, procura criar experiências sonoras capazes de permanecer na memória do público muito depois da última nota. E, se possível, terminar cada dia perto do mar algarvio, onde um mergulho ao fim da tarde continua a ser uma das suas maiores fontes de inspiração.

“Não sou um realizador fácil para compositores. Devido à minha experiência como montador de cinema e publicidade, costumo pedir música antes sequer de começar a montagem, ou por vezes até antes das filmagens. (…) A música do João transportou-me para muitos lugares diferentes. Senti ligação, tensão, sonhos e revelações. Nunca falhou um prazo e é um profissional extraordinário. Recomendaria o seu trabalho a qualquer pessoa que queira elevar o seu filme ao próximo nível.”

— Henrique Prudêncio, realizador de A Próxima Peça

João Viegas é um compositor português cuja música habita a fronteira entre a tradição orquestral, o minimalismo contemporâneo e a procura constante de timbres e sonoridades invulgares. Escreve música para cinema e para a sala de concerto, sempre movido pela mesma convicção: há histórias que só podem ser contadas através da música.

Natural de Altura, no Algarve, descobriu a música aos seis anos, depois de ouvir pela primeira vez a banda sonora composta por John Williams para Harry Potter e a Pedra Filosofal. Aquela experiência marcou o início de uma curiosidade que rapidamente se transformou em vocação. Mais tarde, ao descobrir a obra de Philip Glass, percebeu que era esse o caminho que queria seguir. A ideia de criar mundos, emoções e narrativas através do som tornou-se uma necessidade, e a composição passou a ser a forma mais natural de se expressar.

Ao longo da sua formação na Escola Superior de Música de Lisboa e, mais tarde, no Mestrado em Composição para Cinema e Televisão da University of West London, aprofundou uma linguagem musical influenciada por compositores como Arvo Pärt, Philip Glass, John Williams, John Adams e Bear McCreary. Fora da música, encontra inspiração no universo cinematográfico de Alfred Hitchcock, Wes Anderson, Christopher Nolan e Park Chan-wook, realizadores cuja relação entre imagem, ritmo e narrativa continua a influenciar a sua abordagem artística.

Interessado por instrumentos folk e por sonoridades pouco convencionais, João procura criar universos sonoros únicos, recorrendo frequentemente ao minimalismo, a timbres claros e reconhecíveis e a melodias memoráveis. Para ele, a música para imagem representa uma oportunidade rara: a possibilidade de participar ativamente na construção emocional de uma história.

O seu primeiro projeto cinematográfico de maior dimensão foi Fora de Cena, realizado por Henrique Prudêncio. Desde então, tem desenvolvido uma atividade que abrange tanto a música para cinema como a composição de concerto. Em 2024, recebeu uma encomenda da Orquestra do Algarve para a obra Histórias de um Tempo que Foge à Memória, e compôs a banda sonora original da longa-metragem A Próxima Peça, cofinanciada pelo ICA. Entre os seus trabalhos destaca-se ainda Ubi Caritas, obra coral encomendada pelo Nova Era Vocal Ensemble.

“Conheci o João num workshop online sobre música para cinema em 2022 e acabámos por colaborar no meu documentário. Demonstrou um interesse genuíno pelo filme, entregou a música rapidamente e esteve sempre aberto ao diálogo e a novas versões. Três anos depois continuamos em contacto e voltaria certamente a trabalhar com ele.”

— Franziska Schminke, realizadora de Ingo

Paralelamente à composição, João tem mantido uma forte ligação ao ensino e à construção de comunidades criativas. Lecionou em vários conservatórios e escolas, e foi fundador do London Composer Feedback Meetup, uma mesa redonda semanal no Barbican Centre, em Londres, que reuniu compositores, produtores e engenheiros de som em torno da partilha de projetos e da discussão crítica.